terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sonho real.

Eu tive um sonho, hoje; não era normal eu sonhar com alguma coisa, pelo menos nos últimos tempos (nos últimos quatro anos, quero dizer). No meu sonho, eu não era a rapariga de quinze anos que sou agora, mas sim eu mesma, com apenas os meus doces onze anos. Tinha voltado áquele dia, um simples dia, que tinha mudado a minha vida para sempre; era também este o dia que eu desejava nunca sonhar, para não o reviver.

Lá estava eu, chegada da escola, cansada e sentada na minha cama, a fazer uns trabalhos de casa, quando ouvi a minha mãe a vomitar na casa-de-banho ao lado do meu quarto, causando-me enjoos; tentei não dar muita atenção aquele som, para não ser eu a próxima a usar aquela casa-de-banho, enchendo-a com toda a comida que havia ingerido, e ainda bílis nojenta e ácida, que me arranhava a garganta sempre que fazia o seu caminho até à minha boca, em busca de liberdade. Felizmente, a minha mãe parou de vomitar, fazendo-me suspirar de alívio, sabendo que não teria que enfrentar o meu pior pesadelo: vomitar; mal sabia eu que aquele era o início de um pesadelo maior.
Continuei muito entretida entre letras, números e notas musicais, até que um grande estrondo se fez ouvir, assustando-me de tal modo que até saltei na cama, rabiscando o meu caderno com o impacto. Levantei-me, e fui até ao corredor, pensando que havia sido a minha irmã, mas como a encontrei lá, assumi que não tivesse sido ela; nenhuma das duas sabia o que se houvera passado, mas pareceu-nos que o estranho barulho tinha vindo da cozinha, como se tivesse havido algo demasiado perigoso dentro dela, que a tivesse feito explodir. Quando lá chegamos, encontramos a nossa mãe sentada no chão, junto à pesada e, até a altura, imóvel mesa de mármore, onde todos os dias jantávamos todas juntas. A minha mãe tinha caído, e o enorme estrondo tinha sido provocado pelo movimento daquela mesa, que nunca antes ninguém tinha conseguido mover, nem por um só milimetro. A minha irmã foi imediatamente ter com a minha mãe, perguntando-lhe se ela estava bem, e visto que ela parecia um pouco confusa, decidiu pedir ao meu irmão para lhe ligar, de modo a que ele falasse com a minha mãe. Eu estava petrificada, sentindo as lágrimas a correr pelo meu rosto e os soluços interruptos a roubarem-me as lofadas de ar de que eu tanto precisava, mas que parecia não encontrar. Eventualmente, o meu irmão ligou, e a minha irmã, logo após uma curta explicação do que se houvera passado, passou o telemóvel à minha mãe, que, depois de alguns olhares confusos e palavras perdidas, o passou de novo à minha irmã; foi nesse momento que perdi a minha mãe, enquanto ela dizia as suas famosas últimas palavras:
- Sara, está um homem ao telefone chamado Nuno... ele diz que é meu filho, mas eu não o conheço... Eu tenho medo.
Saí da cozinha a correr, perguntando-me porque é que eu é que ficava sempre com a pior parte da vida.

Acordei daquele sonho depressivo e tão verdadeiro, sentindo o rosto cheio de lágrimas que não conseguia conter; olhei para a cama ao lado da minha, constantando que a minha irmã ainda estava a dormir, como um anjo, e decidi ver as horas: eram quatro da manhã. Peguei no meu telemóvel, e nos earphones, e liguei o leitor de música, repetindo constantemente a música que apenas me descrevia naquele momento, "This Is How I Disappear" dos My Chemical Romance (uma banda que parecia entender cada sentimento que eu continha dentro de mim).  Virei-me para a parede, chorando, e repetindo no meu pensamento as últimas três palavras que ouvi a minha mãe tão amada, e de quem eu tinha tantas saudades, dizer; tinham passados quatro anos, e, de ano para ano, a dor parecia aumentar mais, provocando-me insónias, e, agora, pesadelos. «Eu tenho medo...», oh, mãe, eu também... muito mesmo.




"And if you could talk to me tell me if it's so, that all the good girls go to heaven? Well heaven knows that without you is how I disappear..."


P.S.: algumas coisas no sonho podem não estar exactamente iguais à realidade, mas eu não consegui pensar mais neste assunto; desculpem :c

Um comentário:

Tomás Oliveira disse...

tão forte filha :/